A liberdade exterior depende da sociedade em que vivemos com as suas
normas rígidas ou flexíveis de conduta. Assim, a nossa liberdade se exerce
dentro dos limites traçados pela lei, pelos costumes e pela moral.
É difícil o homem saber o que ele realmente é, pois está soterrado numa
confusão de normas e valores, que o tornam um autômato social. Por isso, para
ser livre interiormente, importa que ele descubra quem ele é para buscar ser o
que é. Ele é aquilo de que necessita e nada pode fazer para mudar suas
necessidades reais e, sim, compatibilizá-las, quanto à sua satisfação, ao
contexto sociocultural onde vive. Liberdade não é fazer tudo o que se quer, mas tudo o que se pode e o
que se deve. A liberdade não está na vontade em si, mas no exercício da vontade
segundo as conveniências e as circunstâncias.
A liberdade consiste também na livre obediência. Obediência porque
se quer obedecer e não porque se é obrigado a obedecer. A obediência
compulsória não passa de sujeição, de escravidão. A obediência voluntária, ao
contrário, é um ato de liberdade.
Valter da Rosa Borges
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